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  Origem da Palavra Bairro

                            

            SIGNIFICADO DA PALAVRA BAIRRO

Bairro é uma das partes principais em que se divide uma cidade. A tendência de ressaltar as características de um bairro, supervalorizando-a, conduz à formação de uma atitude de parcialidade.

Os bairros se formam: a] por motivos históricos, originando-se de loteamento de velhas propriedades senhoris, incrustadas ou envolvidas progressivamente no perímetro urbano; b] por motivos topográficos de confinamento dentro de acidentes geográficos que configuram uma umidade urbana; c] por motivos administrativos, que utilizam critérios mais racionais e d] pelo esponteamento que preside, em geral, o surgimento dos bairros.

Nos grandes centros urbanos brasileiros vai-se definindo, cada vez mais, a distinção entre bairros residenciais, industriais e centrais. Os primeiros tendem a ocupar as regiões mais amenas da cidade e são reservados predominantemente para fins de moradia, com casas e zonas suburbanas e ao longo dos grandes eixos de comunicação, e são ocupadas pelas grandes industrias e transformação.

Os bairros centrais se caracterizam pela acumulação das sedes dos órgãos administrativos, pelas matrizes dos estabelecimento de crédito e pelo alto comércio. Entretanto, observa-se, cada vez mais, a tendência do que poderia ser chamado autarquização dos bairros, ou sua crescente independência com relação aos bairros centrais, pela progressiva descentralização dos serviços dispensáveis à vida urbana. Hoje, quase todos os grandes bairros residenciais dispõe de agências de correio, entre outras, que dispensam movimentos de sístole e de diástole, pelos quais as populações eram obrigadas a demandar o centro urbano. Progressivamente, criaram-se também zonas administrativas reunindo dois ou mais bairros com o objetivo de descentralizar as responsabilidades da administração municipal e poder, mais eficazmente, às necessidades de cada bairro.

Irajá quanto a sua formação, é um município enquadra-se na alínea a]. É assistida administrada pela Subprefeitura Regional e pela XIVa. Região Administrativa, ambas subordinadas a Prefeitura Municipal do Estado do Rio de Janeiro. 

 

ORIGEM DO BAIRRO IRAJÁ

    Após 113 anos do descobrimento do Brasil e ainda sob a regência de Portugal, o bairro de Irajá teve origem nas sesmarias, doadas pela Coroa Portuguesa aos primitivos colonizadores da terra, transformada mais tarde em fazendas. Dentre os primeiros proprietários das terras foram padre Antonio Martins Loureiro, fundador da Igreja da Candelária que em 02 de abril de 16l3, recebeu grande extensão de terras e Gaspar da Costa, cujo filho, em 30 de dezembro de 1644, instituiu a Paróquia Nossa Senhora da Apresentação de Irajá e também seu primeiro vigário. Matriz confirmada por Alvará de D. João IV em 10 de fevereiro de 1647.

Em 1625, o Campo de Irajá, onde existia as sesmarias, foi reconhecido como pertencente a Câmara Municipal. 

 

SESMARIAS 

    O bairro de Irajá, no princípio de sua formação, teve a palavra "sesmaria", sempre empregada em todas às vezes que se fez necessária aos terrenos, casas e pardieiros motivados pela falta de cultura ou abandonados e dos quais os respectivos senhorios depois de avisados, não cuidavam.

A antiga legislação portuguesa, com base em práticas medievais, determinava que fosse entregue a quem se comprometesse a cultivá-lo. Quem a recebia, pagava uma pensão ao Estado. A Coroa dava então estas propriedades de sesmarias ou permitia as Câmaras a concessão, pagando o sesmeio [o que as ficavam possuído], a Sexta parte dos rendimentos auferidos. A esta Sexta parte, chamou-se primeiramente a sesma e depois o sesmo [o sexto]. Portanto é importante ratificar que coube ao rei ou os primeiros donatários de capitanias, fazerem doações de terras a particulares com o compromisso de cultivar e povoá-las.

Quando o Brasil foi descoberto, Portugal transplantou para cá, o regime das sesmarias, através da "Lei das Sesmarias", promulgada pelo rei D. Fernando I e que muito contribuiu para o desenvolvimento e prosperidade da agricultura nacional.

D. Fernando I foi o oitavo rei de Portugal, o último da primeira dinastia, filho de D. Pedro I e de D. Constança. Iniciou o seu reinado em 1367. Nasceu em 1345 e faleceu em 1383.

Coube a D. João I, décimo rei de Portugal, filho de D. Pedro I e de D. Thereza Lourenço, dama nobre de Galliza, nascida em 1357 e que o mesmo reinou de 1385 a 1433, a não só confirmação como também deu aos sesmeiros e lavradores vários privilégios.

Em 1812 as sesmarias foram oficialmente extintas. 

                            SIGNIFICADO DA PALAVRA "IRAJÁ" 

O significado da palavra "IRAJÁ", segundo Theodoro Sampaio, engenheiro brasileiro contemporâneo, nascido na Bahia, na época, considerado o notável conhecedor brasileiro de assuntos indianistas, autor do Tupi na geografia nacional é, "O MEL BROTA OU SE PRODUZ", assim chamado pelos índios "Muduriás", que habitavam as terras. A palavra IRAJÁ já é tupi-guarani, não dando ênfase a outra qualquer denominação.

Observação:

    - Nenhuma referência à respeito a palavra Muduriás, foi encontrada pelo autor.

O mais aproximado encontrado foi "Manduriais", derivado de "Mandurin", nome dado a uma abelha social meliponídea, que ocorre no Brasil. Produtora de mel de boa qualidade. É também chamada de manduri, mondori e guarapu-miúdo.

Curiosidade: Além de ser nome de um rio no Exterior é também nome de rua no bairro C.Velho em Abreu Lima – Pernambuco e geograficamente é também uma Vila e Distrito pertencentes ao município de Ipu, Estado do Ceará, que na década de 50, já possuía 5.407 habitantes.

 

FUNDAÇÃO DO BAIRRO DE IRAJÁ

[ENSAIO] 

    A preservação da memória do passado em função do presente, sempre deve prevalecer.

IRAJÁ, segundo Theodoro Sampaio, engenheiro brasileiro contemporâneo, nascido na Bahia e na época, considerado o notável conhecedor brasileiro de assuntos indianistas e autor do o Tupi, significa na língua tupi-guarani, "O mel brota ou se produz".

Este Ensaio, extraído da pesquisa histórica iniciada em meados de 1991 sobre o bairro de Irajá, subúrbio do Rio de Janeiro, salvo uma melhor interpretação histórica convincente, caracteriza ser a data de fundação [aniversário] do bairro de Irajá, o ano de 1613, sem nenhuma outra condição de que se possa estabelecer o dia e o mês, por estar elas ignoradas em todos os escritos à respeito do até então, salvo o "in fine" em forma de sugestão que é exposto, se não vejamos: 

Com entusiasmo ensejo,

cheio de esperança ansiosa,

ao IRAJÁ eu desejo,

prosperidade grandiosa.

IRAJÁ, teve origem nas Sesmarias ainda sob a regência de Portugal. Seu primeiro donatário, foi o jesuíta Gaspar da Costa, cujo filho, em 30 de dezembro de 1644, objetivou as transformações necessárias da então Capela barroca de Irajá, criada em 16l3, instituindo a Paróquia Nossa Senhora da Apresentação de Irajá, tornando-se o seu primeiro vigário e devidamente confirmada por Alvará de funcionamento assinado por D. João IV em 10 de fevereiro de 1647. Isto porque as Capelas não eram obrigadas, pelo menos na época, ter Alvará para funcionamento. Eram erguidas pelos fiéis católicos nas propriedades coloniais, geralmente pelo próprio donatário dos respectivos engenhos, mais tarde fazendas.

Surge então a pergunta:

- Por que não existe dia e mês?

A resposta é lógica: ou a Capela já existia de janeiro à abril de 1613, quando o jesuíta Gaspar da Costa, recebeu as extensões de terras ou então ela foi erguida no período compreendido de abril à dezembro de 1613, partindo-se do pressuposto da data de 02 de fevereiro de 1613, por apresentar uma forte evidência com relação ao também proprietário de terras, o pároco Antonio Martins Loureiro, fundador da Igreja da Candelária, que também recebeu grande extensão de terra neste citado ano.

Uma nova pergunta é cabível:

                    - Como chegou-se a esta conclusão?

a] Contatando com o ilustre Acadêmico Correspondente da AILA, Escritor e Poeta, Joaquim Francisco de Castro, de Fânzeres – Gondomar/Portugal, o ilustre Acadêmico fez a máxima gentileza de comparecer a Torre de Tombo e, após pesquisa, os dados colhidos, são os mesmos, sem quaisquer possibilidades de alteração.

b] Padre Antonio de Freitas, em entrevista ao Rio Illustrado de 1937, destaca o tempo da existência da Igreja como uma das mais antiga do Brasil, considerando mais velha do que ela apenas algumas Igrejas da Bahia que segundo o pároco é "célula mater da nacionalidade brasileira" e uma ou duas no Maranhão, tendo em vista a data de 1613 até hoje gravada em pedra no frontispício da Igreja.

c] No livro "Templos Históricos do Rio de Janeiro – 1946 [MCMXLVII] – 2a. edição – do escritor Augusto Maurício, que entre outras observações, retrata "... Os portais, tanto das janelas como da entrada, são de grama, vendo-se no centro deste último a data gravada de 1613."

d] O livro Cento e Sete Invocações da Virgem Maria do Brasil da Escritora Nilza Botello Megale – Editora Vozes – Petrópolis/RJ – 1980, dá uma aproximação da realidade dos fatos relativo a Capela, uma vez que em outras observações registra: "No Brasil, a primeira paróquia dedicada a esta invocação foi de Natal, no Rio Grande do Norte, fundada em 1559."

e] No Jornal "Folha Leopoldinense"- 1987, numa reportagem de Egbért Fernandes, intitulada "As Memórias de Irajá", em apoio ao concurso de monografias contando a história do bairro, promovido pelo Rotary Club de Irajá, também retrata a data de fundação registrando: "... Sem precisão de idade, os registros cronológicos mostram que em 1613 ela já existia, sendo de propriedade de uma das fazendas que ocupavam o local na época."

f] No Jornal O Globo – Madureira – 1985, numa entrevista junto ao Monsenhor Luiz Machado, da Igreja Nossa Senhora da Apresentação, no Irajá, não encontrou os dados sobre a construção " iure" antiga capelinha barroca que lhe foram entregues pela Cúria, quando fez uma pesquisa sobre os monumentos sacros. Mas sei que ela é superior a 1613 ou dessa época ....[grifo meu]".

g] Freguesias do Rio Antigo do autor Fernando de Noronha [1965], também reporta dados que leva ao ano de 1613.

h] As concretizadas e ratificadas memórias de antigos moradores do bairro, tão bem registradas no volume 6 – MEU IRAJÁ – Agostinho Rodrigues – 1997, intitulado "Paróquias, Igrejas, Capelas[ Católica Apostólica Romana], Educação Religiosa e Cultural – Cemitério.

Conclusão:

Se há um interesse enorme de que se tenha dia e mês que caracterize o marco das festividades do bairro de Irajá, não só pela sua grande participação histórica no progresso do Rio de Janeiro mas também do próprio bairro, segue em forma de sugestão as seguintes datas abaixo, diante do aspecto social do lugar em que todas as afirmações dão conta que o bairro desenvolveu-se por muitos anos em função da Igreja.

a] A data de 30 de dezembro, quando se comemora o Aniversário da Paróquia de N.S. da Apresentação de Irajá, dia que a imagem, vinda de Portugal em 1644 na Igreja se estabeleceu, segundo declarações do Padre Antonio de Freitas, estão Vigário de Irajá e do Padre Januário Tolomey - Rio Illustrado de 1937; e/ou

b]A data de 21 de novembro, quando pela tradição antiga é a N.S. da Apresentação festejada, conforme incluso no Missal Cotidiano – Completo – 1936 – Ano do II Congresso Eucarístico no Brasil, reimpresso pela Impressora Beneditina Ltda.– Salvador/Bahia – D. Beda Keckeisen – ºS.B. de 27/11/1954, cortesia da Acadêmica da AILA, Jarnete Ferreira Soares/RJ.

Espero que este ensaio venha se constituir um marco a mais na nossa história, que defino através da mensagem elaborada no período da pesquisa histórica cultural do bairro.

 

"IRAJÁ, terra faceira

se manifesta sorrindo

com alvura hospitaleira

sempre ecoa: Seja bem vindo!"

ENGENHOS E OLARIAS 

No século XVIII a região era composta por grande número de fazendas que cultivavam a cana-de-açúcar repletas de engenhos e inúmeras olarias com algumas produções de frutas e hortalícias. Tudo era transportado pelo "Portinho de Irajá".

Em meados de 1775 o "Campo de Irajá", como era chamado na época, já abrigava 13 engenhos e já em 1779, atingia grande produção açucareira e aguardente.

Eis alguns dos engenhos construídos: de Manoel Corrêa, provedor da Santa Casa de 1629 a 1632, casado com a Sra. Maria Corrêa de Alvarenga e falecido em 08 de janeiro de 1648. Possuía um engenho de açúcar denominado primitivamente Tijubacajá e depois, Fazenda de Nossa Senhora de Nazareth que passou a propriedade de seu filho Thomé Corrêa de Alvarenga que foi alcaide - mor, provedor da Fazenda Real, provedor da Santa Casa e Governador de Capitania; Capitão Antonio de Oliveira Durão, em meados do século XVIII, cujas terras foram transformadas posteriormente em Fazendas dos Afonsos; Bartolomeu de Amorim Calheiros, provedor da Santa Casa que em julho de 1644 a julho de 1645, sofreu uma forte oposição do padre Manoel da Nóbrega, vigário da Freguesia de São Sebastião e Cristóvão Lopes Leitão, dono do Engenho da Conceição que em 1714, passou para o seu filho que como ele, foi provedor da Santa Casa.

No início do século XVIII, a região era composta por grande número de fazendas que cultivavam a cana-de-açúcar, repletas de engenhos e inúmeras olarias. A produção, incluindo frutas e hortalícias, eram transportadas através dos pontos situados na foz do rio Irajá que, naquele tempo, era navegável e permitia atingir-se a Baia de Guanabara.

Pelos meados de 1775, 0 Campo de Irajá obrigava treze [13] engenhos e já em 1779, passaram a produzir, além de grande quantidade de açúcar, grande escala de aguardente, tais como: Engenho Inhomucu, de propriedade do Sr. Antonio Reis Paiva; Nazareth, já como proprietário, o capitão Bento Luiz de Oliveira; do frei religioso carmelita, Miguel Antunes; Botafogo, de propriedade da viúva do desembargador Ignácio de Sousa, arrendado ao sargento - mor de cavalaria, José Corrêa de Castro; Portela, da viúva Tereza Maria; do Sr. Luiz Manoel de Oliveira Durão; do provedor Dr. Francisco Cordovil de Siqueira, o de Brás de Pina e do Juiz Antônio Miguel de Brito.

Encontrava-se ainda, no caminho de Inhaúma para o Campo de Irajá, a fazenda de José Pacheco, onde se via a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, fundada por Ignácio Rangel Cardoso.

O poeta Osmar Gonçalves Pereira que contribuiu para o enriquecimento da história do bairro de Irajá, transcritas nas Páginas Amarelas 1988/89, pertenceu a família da Fazenda Boa Vista.

Até o ano de 1949, ainda eram vistas as ruínas da Casa Grande do Sítio Paraíso, de propriedade da viúva Lira, como era conhecida no bairro de Irajá, localizada na altura do nº 203, da atual Avenida Monsenhor Félix.

Irajá jamais teve produção cafeeira, somente cana de açúcar e hortograngeiro, como: banana, laranja, manga, amora, couve, alface, agrião, chicória, cebolinha, entre outros. Também foi possuidora de inúmeras árvores de Pau Brasil, ao longo da atual avenida Monsenhor Félix. 

 

 FAZENDA IRAJÁ

    No ano de 1937, a equipe de reportagem do Jornal Rio Ilustrado ao visitar o cemitério de Irajá, ouviram o ancião [por eles assim designados], OTACILIO JACINTO DE OLIVEIRA, velho habitante da freguesia. Eis na integra o seu depoimento:

"- Nasci nestas paragens em 1870. Meu pai, que se chamava Jacinto de Oliveira, foi o primeiro sacristão da Igreja – Matriz, quando estas terras viviam no apogeu e a produção de cana de açúcar dava para muita coisa... Faz tanto tempo! Todo aqui era grandeza. Uma fazenda imensa de cana de açúcar, dividida em quadras de se perder de vista. Era um mundo. O senhor Conde, que Deus o tenha em bom lugar, era o nosso juiz. Só a ele rendíamos homenagens e obediência, porque as merecia. Era digno do nosso respeito. Era bom e justiceiro, como poucos. Foi um grande benfeitor de Irajá e todos o estimavam, inclusive os próprios escravos da fazenda, que gozavam entre nós, regalias negadas a outros, em qualquer parte deste imenso Brasil. Conheci o fazendeiro José da Costa Barros Sayão e muitos outros cujos nomes não me acodem a memória Barros Sayão foi sepultado aqui no cemitério, na parte que pertence a Irmandade. Lá em cima, no alto da colina, como os senhores estão vendo, ainda se acham as ruínas da Casa Grande da Fazenda Irajá. São um punhado de pó e cascalho, entre parasitas e répteis, que o tempo ainda não conseguiu destruir. Aquelas colunas, aquelas muralhas, são as únicas testemunhas seculares, os únicos documentos seculares, os únicos documentos indeléveis do apogeu de uma época histórica."

* * *

Na entrevista que concedeu ao Rio Ilustrado [1937], nos seus 67 anos de idade, o Sr. Otacilio Jacinto de Oliveira que nasceu num ano histórico – fim da guerra do Paraguai – 1870, governo de D. Pedro II, trouxe à luz do saber, cinco importantes tópicos de valor histórico, salvo melhor interpretação.

No primeiro, demonstra a valorização da fazenda Irajá na área de produção e extensão territorial, ratificando os princípios já defendidos por outros conviventes.

No segundo tópico, fala sobre o Conde que não é outro senão o senhor D. Manoel de Monte Rodrigues, o Conde de Irajá. A designação de "juiz", que lhe atribuiu, caracteriza-se pelo respeito e admiração que gozava junto a comunidade local. As suas declarações neste bom sentido, dá a nítida impressão que elas lhes foram passadas por familiares e moradores que conviveram com as atividades sociais, culturais, espirituais e eclesiásticas do Conde. O Sr. Otacilio Jacinto de Oliveira, ao nascer, o Conde de Irajá já havia falecido a sete anos [1863].

No terceiro tópico, temos a afirmação de que Irajá, na época do Conde, os escravos da fazenda gozavam de regalias. Aqui ficou patente três hipóteses em bloco e/ou de per si: 1a. hipótese – as condições explícitas no 2º tópico; 2a. hipótese – aquela que consistiu em tornar livre os filhos de escravos nascidos daí por diante – "Lei do Ventre Livre"- do Visconde de Rio Branco em 28 de setembro de 1871, já sem a presença terrena do Conde e o Sr. Otacilio Jacinto de Oliveira com um [1] ano de idade; 3a. hipótese – por ter ele na época da "Lei dos Sexagenários", em 1888, convivido com a época do movimento de liberdade à todos os escravos que atingissem os 65 anos de idade até a "Lei Áurea", de 13 de maio de 1988, esta, assinada pela Princesa Isabel, onde ficou definitivamente extinta a escravidão negra no Brasil. Nos dois importantes eventos, o Sr. Otacílio Jacinto de Oliveira, estava com 15 e 18 anos de idade respectivamente.

Levando-se em conta que o início das leis sobre o fim da escravidão começou em 1850, 13 anos antes do falecimento do Conde de Irajá, com a Lei Eusébio de Queirós, que aboliu definitivamente o tráfico de negros africanos, dá a entender que ele fora de cor branca["... os próprios escravos da fazenda, que gozavam entre nós, regalias, negadas, a outros..."], e um apreciador do abolicionismo.

No quarto tópico – desvenda outros nomes de fazendeiros que contribuíram para o avanço de Irajá.

Por fim, o quinto tópico – traz a lembrança os derradeiros momentos finais da Casa Grande da Fazenda Irajá, ainda vista na década de 40.

* * *

Sobre as ruínas seculares da Casa Grande da Fazenda Irajá, há um outro depoimento no Rio Ilustrado [1937], desta feita do Sr. Antonio Ferreira de Araújo, de 52 anos de idade que na ocasião da entrevista, encontrava-se entre as musculosas muralhas, isolado dos demais, ilhado entre as paredes em ruínas da fazenda Irajá.

Considerado uma figura estranha pelos entrevistadores, Antonio Ferreira de Araújo disse ter nascido ali mesmo a 26 de novembro de 1885 e ser pai de cinco filhos todos menores. O estranho habitante das ruínas, era casado e exercia a sua atividade na lavoura.

Vivia satisfeito com a vida simples que levava.

Construiu a sua casa de pau-a-pique [parede de ripas ou varas, umas verticais e outras horizontais, entre - cruzadas e barro] e lavrou a terra que circundava a pequena colina e que pagava em 1937, pelo aluguel do terreno que então era gratuito, nada menos que 60$ [sessenta mil réis] {*}, aos proprietários das ruínas e daquelas terras, a família Queiroz, de Madureira que, segundo os entrevistadores, Antonio demonstrou tradicional memória. 

Observação: 

{*} Sistema Monetário Brasileiro na década de 30 – circulação:

- moeda de ouro de 20$, 10$ e 5$;

- moeda de bronze e alumínio de 2$, 1$ e 500$ réis;

- moeda de níquel $400, $200 e $100 réis; e

- papel de 1:000$, 500$, 200$, 100$, 50$, 20$, 10$, 5$, 2$ e 1$.

Para pequenas transações, a unidade usada era o mil réis e para grandes transações a unidade usada era o conto de réis.

O sinal de dinheiro era o cifrão [$]; o de conto, dois pontos [:].

Do acima exposto, houve por parte dos descendentes de antigas famílias Irajaenses, na época, denominada de "Irajano"[masculino] e "Irajana" [feminino] pelo Rio Ilustrado, divulgar o máximo e com referências bem amplas a respeito das velhas fortificações que defenderam a fazenda Irajá. Tais fortificações, foram colocadas em pontos estratégicos da localidade de modo a evitar possíveis incursões de índios, escravos de outras terras ou mesmo de aventureiros e estrangeiros que ali, aparecessem a busca de conquista fáceis, tanto assim que, na Penha, um desses fortes se mantinha alerta as possíveis surpresas que viessem do mar. Em Campinho e Jacarepaguá, outras fortificações guardavam as estradas que vinham de Guaratiba, onde mais tarde desembarcou Charles Duclerc, invadindo a cidade de surpresa em 1710 e Duguay-Trouin em 171. 

 

"Ruínas da Casa Grande da Fazenda Irajá"

Foto xerox – Rio Illustrado – 1937

 

"IRAJÁ - CENTRO AÇUCAREIRO"

É outro título na divisão da narrativa do padre Antonio de Freitas junto ao Rio Ilustrado de 1937.

Neste aspecto, ele revela que, segundo a tradição do lugar, e, que se diga de passagem, é até hoje conservada, Irajá foi um grande centro açucareiro. Sua produção era bem elevada, sendo que o escoamento de todo açúcar se fazia ou pelo denominado "Portinho de Irajá", pertencente a Brás de Pina, embora com a antiga denominação, que servia nesta década de 30 para ancorar pequenas embarcações de pescas; mas no passado dava fácil acesso a grandes caravelas que vinham buscar na então colônia, os produtos de que necessitavam os senhores feudais.

 

 BRAZÃO

                                                        

  * Cinco torres[categoria da cidade], refere-se ao Rio de Janeiro.

  * Dois Golfinhos – apesar de mamíferos, representam o peixe. Indicam que o bairro de Irajá está localizado numa cidade marítima.

  * Abelha [campo superior esquerdo] – dá o significado de denominação local.

  * Campo superior esquerdo – Igreja de Nossa Senhora da Apresentação de Irajá, dando a definição de ser um povoado católico em sua maioria.

* Campo inferior esquerdo -– brasão de armas do bispo Conde de Irajá.

* Campo inferior direito – escudo português – descobridores e colonizadores.

* Foto tirada em 19/8/93, cortesia do Sr. Moisés Jordão Filho

 

DISTRITO DA PAZ

"IRAJÁ - Mãe das mães"

O Autor 

    Em 15 de fevereiro de 1883, Francisco Vera Nascente, prestou uma informação à Câmara Municipal na qual aventava a possibilidade de serem divididos os Distritos da Paz da Freguesia de Irajá, fato que se estendeu até 1867, quando foi concretizada essa divisão por proposta do vereador José Bernardo da Cunha. Houve protestos contra a divisão que objetivava, segundo a concepção da época, criar melhores condições de administração dos povoados que vinham surgindo. Uma das objeções foi colocada pelo Juiz de Paz Luiz Pereira da Silva Maya que assim se dirigiu à Câmara: "A população total desta freguesia, segundo consta dos mapas estatísticos remetidos ao Ministérios do Império e da Justiça pela autoridade competente, soma em 4.500 indivíduos, à saber: 1200 nacionais de sexo masculino de todas as idades; 1000 do sexo feminino de todas as idades; 1700 escravos e 600 estrangeiros."

Ressalta-se que já em 1890, ou seja, vinte e três anos depois, a Freguesia de Irajá, contava com aproximadamente 14.000 habitantes dos quais, 13.000 católicos.

No caminho da transformação do bairro de Irajá, rumo ao desenvolvimento e ao progresso, no final do século XVIII, a Freguesia de Irajá, antes mesmo da divisão em Distritos da Paz em 1867, teve quatro [4] desmembramentos, `saber: Jacarepaguá, desmembrado em 06 de março de 1661; Campo Grande, desmembrado em 1673; Inhaúma, desmembrado em 27 de janeiro de 1743 e o Engenho Velho, desmembrado em 1795.

Após a divisão ocorreram, no território de Irajá, os seguintes desmembramentos: Realengo em 11 de novembro de 1926 e Anchieta, Penha, Pavuna e Piedade, pelo Decreto nº 3816 de 1932.

Após vários anos, surgiu no seio do bairro Irajá, os socialmente chamados Bairros de Vista Alegre e Araújo, motivado pelo crescente número de habitantes e pelo desenvolvimento social, comercial e industrial do lugar.

 

FREGUESIA DE IRAJÁ

[Extensão Territorial] 

Segundo Padre Antonio de Freitas, então pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Apresentação de Irajá, em entrevista ao Rio Ilustrado - 1937, o território da Freguesia de Irajá, estendia-se de São Cristovão a Santa Cruz.

Há procedência na afirmativa. Noronha Santos, na sua obra "As Freguesias do Rio Antigo"- 1965, em determinado trecho afirma: "A freguesia de São Cristovão foi criada pelo Decreto de 09 de agosto de 1856, separando-se o seu território do 2º distrito do Engenho Velho, do qual fazia parte, por aviso da mesma data". Em outro trecho, diz o autor: "Ao território da freguesia de N. S. da Apresentação de Irajá, pertenceram os termos de Jacarepaguá, Campo Grande e Engenho Velho até 1792", ratificando as afirmativas do padre Antonio de Freitas.

 

SUBPREFEITURA 

    O bairro de Irajá, dentro das disposições administrativas da Prefeitura Municipal do Município do Rio de Janeiro, é após o Exmo. Sr. Prefeito e Vice-Prefeito, subordinada diretamente a Subprefeitura atualmente denominada de "Subprefeitura Grande Irajá – AP 3.4.", localizada na Praça Jardim Vista Alegre s/nº., através da 14º Região Administrativa Regional do bairro, localizada na Av. Monsenhor Félix, nº 512 – Irajá.

 

XIVa. REGIÃO ADMINISTRATIVA DE IRAJÁ

    A administração Regional foi criada pelo Decreto nº 1008 de 08 de fevereiro de 1962.

Primeiramente a XIV RA de Irajá foi composta dos seguintes bairros: Irajá, Vila da Penha Vicente de Carvalho, Rocha Miranda, Colégio, Turiaçu, Honório Gurgel, Vaz Lobo e Vila da Penha. Atualmente a XIV RA é composta dos bairros de Colégio, Vila da Penha, Vila Kosmos, Vicente de Carvalho, Vaz Lobo [até a rua Carolina Amado] e os chamados bairros de Vista Alegre e Araújo.

 

ADMINISTRADORES REGIONAIS DA 14º REGIÃO ADMINISTRATIVA DE IRAJÁ

   Oswaldo Felicíssimo [28/2/64 à 03/12/65]; Wilson Fausto Suzano [13/12/65 à 13/2/66] – interino; Flávio Faria [14/02/66 à 02/10/67]; Jacy de Almeida [02/10/67 à 15/6/71]; Waldir Leal Pereira [16/6/71 à 04/6/75]; Ivan Faria Vieira [04/6/75 a 13/5/76]; Claudionor Fernandes Faria Machado [13/5/76 à 17/4/79]; Eurico Divon Galhardi [17/4/76 à 27/2/80]; Dr. Milton Diogo dos Anjos [27/2/80 à 03/2/81]; Dr. José da Rocha [03/2/81 a 17/9/81]; Dr. Itamildes Orlando Fernandes [17/9/81 à 13/5/82]; Milton Alves Pereira [13/5/82 à 14/6/83]; Professor Cesar Augusto dos Santos Azevedo [14/6/83 à 19/5/85]; Sebastiana Alexandrina da Silva [ 19/5/85 à 14/8/85]; Pedro Vilela [20/8/85 à 20/9/85] – assessor interino; Dr. Waldir da Glória Mendes [23/9/85 à 03/7/86]; Luiz Carlos da Costa Nava [18/7/86 à ...................]; Selma Regina Veloso da Silva [..................à 01/2/89]; Nilton Alves Pereira [01/2/89 à 13/8/90]; Jorge Luiz Dias [13/8/90 à 29/12/92]; Dr. Manoel Aloisio de Freitas [13/1/93 à 05/7/93]; Ivonete Soares Rocha [15/7/93 à 15/1/97]; Luiz Machado Pinto [15/1/97 à 20/4/98; Márcio Ribeiro Barcelos [ 20/4/98 a 01/1/01]; Deise da Silva Menezes [01/1/01 a 30/03/01]; Ivonete Soares da Rocha [03/03/01 - atual Administradora].

Vários são os órgãos municipais existentes no bairro de Irajá, entre os quais temos: S.M.T.U ; D.G.V.U; CET-RIO; LG14M, USINA DO LIXO; 13D.C.; DOE; 6º D.L.F.; ARQUIVO GERAL; 14º I.R.L.F.; ENGENHARIA SANITÁRIA S/SCS; CENTRO MUNICIPAL DE SAÚDE CLEMENTINO FRAGA; BIBLIOTECA POPULAR DE IRAJÁ, JOÃO DO RIO.

Órgãos estaduais: o recente posto da DENTRAN/RJ – Identificação Civil e DEFENSORIA PÚBLICA, ambas localizada na 14a. Região Administrada e SECRETARIA DE FAZENDA - Fiscalização ICMS, IPVA, TAXA, INCÊNDIO, localizada na estrada de Água Grande e 1º SGBM/8º GBM.

 

Órgãos Federais – INSTITUTO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA MÉDICA E PREVIDÊNCIA SOCIAL – POSTO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA DE IRAJÁ – PAM DE IRAJÁ; INSS – INSTITUTO NACIONAL DE SEGURIDADE SOCIAL – POSTO IRAJÁ, localizado na Avenida Brasil, nº 17673 E Av. Miriti 2661.

 

PEDREIRA DE IRAJÁ

    Década de 20, ficava localizada aonde hoje está a XIVa. Região Administrativa de Irajá. Segundo Sr. Delcy de Queiroz, quem alertava os moradores da redondeza e demais pessoas envolvidas na faina do toque de recolher na hora das explosões das dinamites da pedreira, era um funcionário da Prefeitura que gritava: "vai fogo", ouvido a longa distância.

Muitos vidros de janelas e telhas eram danificadas e no dia seguinte, quando reclamados pelos prejudicados, eram substituídas pela Prefeitura.

Na época, o administrador da Pedreira de Irajá era o mestre Pinto. Somente na década de 30 que a Prefeitura mudou para o sistema de sirene. 

Foto extraída do recente e importante "folder" histórico Cultural sobre o bairro de Irajá, realizado pelo Departamento Geral do Patrimônio Cultural, constando fotos de Eduardo Rocha/AGCRJ/Escola Barcelona - Irajá. Secretaria Municipal de Cultura - Prefeitura do Estado do Rio de Janeiro

 

CANHÕES 

                                                          

A descoberta de dois canhões em Irajá, utilizados no século XVIII para guarnecer a retaguarda da Cidade do Rio de Janeiro após a invasão dos franceses em 1711, teve três célebres nomes: os franceses Charles Duclec e Duguay-Trouin e o brasileiro Bento de Amaral.

Charles Duclerc foi um marítimo francês que em 1710, a frente de uma expedição, atacou o Rio de Janeiro conseguindo penetrar na Cidade. Encontrou porém, depois de valente resistência da parte dos estudantes e paisanos armados, capitaneados por Bento de Amaral, refugiando-se no trapiche [armazém onde eram guardadas mercadorias para embarque junto ao cais], da cidade.

Ali ficou encurralado, vendo-se obrigado a render-se mediante condições. Prisioneiro de guerra, foi mais tarde, ainda em 1711, assassinado.

Já Duguay-Trouin, era um célebre corsário, nascido em Saint-Malo, ilustrando-se durante as guerras de Luiz XIV.

Em setembro de 1711, à testa de uma poderosa esquadra, forçou a barra do Rio de Janeiro sendo que, dias depois apoderou-se, quase sem combate, da cidade que o governador Francisco de Castro Morais abandonara com todas as tropas e os habitantes e que foi medonhamente saqueada pelos invasores.

Sem esperar por socorros, Francisco de Castro Morais ajustou com Duguay-Trouin, o resgate da cidade por seiscentos e dez mil cruzados em dinheiro, com caixas de açúcar e duzentos bois.

No seu regresso à Europa, o corsário, assaltado por tempestades, perdeu dois dos seus navios e uma parte da presa que fizera. Morreu quase pobre[1673/1736].

Bento de Amaral, foi um herói nacional, Um professor que repeliu vitoriosamente o francês Charles Duclec em 1710, a frente dos seus estudantes e de paisanos armados, mas que não obteve o mesmo êxito contra o francês Duguay-Trouin, sucumbindo.

Os canhões foram localizados em 1970 quando das escavações em área localizada dentro da XIVa. Região Administrativa de Irajá, para a construção da Usina de Reciclagem.

Os canhões foram requisitados e entregues ao Exército Brasileiro.

 

FORTE DE CAMPINHO 

    É mais um fator histórico cultural importante ligado as fortificações que abrangeram inclusive, Irajá, conforme explicação inserida no Rio Ilustrado - 1937, do Major Timóteo, na época, Comandante do lº Grupo de Artilharia Montada

Sintetizando, na Estrada Real de Santa Cruz, a onze milhas da colina, próxima ao cruzamento das estradas de Campo Grande e Jacarepaguá, construíram em 1822, o Forte de Nossa Senhora da Glória, armado com nove canhões e auxiliado por outros fixados nas montanhas fronteiras. Posição estratégica de valor por estar entre um contraforte da serra do Andaraí e as montanhas de Irajá em uma espécie de desfiladeiro, dominando as suas estradas e servindo de guarda avançada. Tanto o forte como as baterias auxiliares, foram desativadas em 1831.

A ação foi derivada a exemplo que sucedeu com Charles Duclerc.

Assim que foi proclamada a Independência do Brasil, a notícia de estar sendo preparada em Lisboa uma esquadra com destino ao Brasil, fez recear um ataque contra o Rio de Janeiro e tranqüilo, o governo quanto a barra, que era fácil defender com vigor, recordou-se do desembarque de Charles Duclerc em 1710 em Guaratiba, ponto que tinha maior importância na época, por ter em suas proximidades a fazenda de Santa Cruz, onde, às vezes residia no Imperador e a esta lembrança, aconselhado a fortificação dos pontos de comunicação entre a Corte e o litoral do sul. Foram então efetuadas várias obras de defesa nas praias, estendendo-se de Copacabana a Ilha de São Sebastião, na costa de São Paulo bem como nas estradas do interior, sendo a principal destas o forte de Nossa Senhora da Glória do Campinho, em excelente posição, no chamado desfiladeiro de Irajá, dominando, com o auxílio de baterias nas montanhas fronteiras a estrada da Pavuna e a junção de Santa Cruz e de Jacarepaguá, caminho direto de Guaratiba.

Dados autênticos que, segundo o Major Timóteo, foram publicados na revista do Instituto Histórico, de autoria do Ten. C.el Augusto de Souza.

Do acima exposto, ratifica-se a importância dos canhões e do porquê de tê-los encontrados pelo menos dois destes no bairro de Irajá, em 1970, quando da construção da Usina de Reciclagem.

Observação:

    Com a criação da Fábrica de Cartuchos do Realengo para o local onde existira o forte e fora também Laboratório Pirotécnico Militar, foi levado o quartel do antigo 5º Regimento de Artilharia de Campanha, vulgo 5º de Gandola. Reorganizando-se o Exército em 1908, esse quartel passou a servir ao 20º Grupo de Artilharia de Montanha. Mais tarde, nas áreas anteriormente ocupadas, surgiram grande quantidade de moradias e propriedades agrícolas.

Vocabulário

1. Gandola – Peça de vestuário militar, que substitui o capote.

Fontes Consultadas:

* Rio Ilustrado, 1937.

* Páginas Amarelas 1988/89.

* Dicionário Prático Illustrado Jayme de Séguier - 1931 - 3a. edição - Porto.

* Enciclopédia Brasileira Mérito – vol. 9 – 1967.

 * Foto de um dos canhões do Forte de Nossa Senhora da Glória, do Campinho, desativado em posição de ornamentação, gentilmente fornecido pelo Major Timóteo ao Rio Illustrado - 1937.

 

DIRETORIA DE ENGENHARIA DA SECRETARIA DE VIAÇÃO E OBRAS PÚBLICAS DA PREFEITURA - 7a. DIVISÃO DE VIAÇÃO.

                                                                                 

Atendendo o grande desenvolvimento de Irajá, Pavuna e Madureira, a Diretoria de Engenharia da Secretaria de Viação e Obras Públicas da Prefeitura, criou em 1935 uma divisão - 7a. Divisão de Viação, que consistia na execução de trabalhos relativos a melhoramentos dos distritos supra mencionados. Era bem grande a área abrangida que compreendia núcleos de população correspondentes as seguintes estações:

- Na Central do Brasil - Linha Centro: estações de Madureira, Osvaldo Cruz e Bento Ribeiro.

- Linha Auxiliar: estações de Cavalcante, Engenheiro Leal, Magno, Turiassú, Rocha Miranda e Honório Gurgel.

- Leopoldina Railway: estações de Brás de Pina, Cordovil, Vigário Geral, Parada de Lucas.

- Estrada de Ferro Rio D’ Ouro: estações de Vicente de Carvalho, Irajá, Colégio, Coelho Neto, Acari e Pavuna.

     7a. Divisão de Viação tinha seus escritórios instalados à Estrada Marechal Rangel nº 895, hoje, Av. Edgar Romero, possuindo também um outro depósito de materiais na Estrada Monsenhor Félix, hoje, Avenida, junto ao nº 510, local em que ficavam instalados os compressores, britadores, guindastes, etc., que permitiam a exploração da Pedreira.

Além do pessoal técnico e administrativo, a 7a. Divisão possuía o operariado, que eram distribuídos por turmas e classes. 

A 7a. Divisão de Viação tinha a seu cargo os serviços de execução dos calçamentos e macadame [ sistema de empedramento de estradas de rodagem ou ruas com pedra britada] betuminoso, a paralelepípedo, a macadame simples, etc.; conservação dos calçamentos da Avenida Automóvel Clube, a macadame betuminoso e a macadame simples e o trecho da Estrada Rio - Petrópolis, hoje, Avenida Automóvel Clube, a macadame betuminoso da estrada Brás de Pina, na divisa com o Estado do Rio de Janeiro; preparo das caixas das ruas e estradas em terra, compreendendo terraplanagem, esgotamento das águas pluviais por meio de valetas laterais, o emsaibramento da superfície de rolamento, e, às vezes, assentamento de meio-fio retos e curvos, construções de sarjetas; construção de pontes, pontilhões e muros de arrimo; finalização dos trabalhos executados nas cias públicas por empresas privadas, companhias, etc. 

Vocabulário

1. Betume: substância natural escura, pegajosa e inflamável, constituída por hidrocarbonatos naturais.

2. Terraplanagem: ato ou efeito de encher de terra.

3. Águas pluviais: águas proveniente das chuvas.

4. Valetas: pequenas valas para escoamento de águas a beira de ruas

5. Emsaibramento: cobrir de barro.

6. Meio-fio: fieira de pedras que remata a calçada da rua. Hoje já existe os meios-fios pré - moldados.

7. Sarjetas: o mesmo que valetas; escoadouro.

8. Pontilhões: o mesmo que pontículo. Forma diminutiva de ponte. Ponte pequena.

9. Murro de arrimo: muros de proteção e de encosta.

10. Logradouro: o que é ou pode ser fluído por alguém. Passeio público. 

    Concluindo, verifica-se que a pedreira pertenceu a Prefeitura e que para dar melhor assistência ao desenvolvimento do bairro de Irajá e circunvizinhos, a Diretoria de Engenharia da Secretaria de Viação de Obras Públicas, criou a 7a. Divisão de Viação, instalando-a no bairro de Vaz Lobo.

Com a extinção da pedreira, salvo melhor interpretação, a Divisão transferiu-se definitivamente para este local, aproximadamente na década de 40 para 50, hoje, XIV Região Administrativa de Irajá, que passou a funcionar a partir da década de 60. 

Fonte Consultada:

* Rio Ilustrado 1935.

* Dicionário Contemporâneo de Língua Portuguesa Caudas Aulete - editora Delta S/A - 1964.

* Sr. Delcy de Queiroz [+].

* Análises e conclusões.

* Foto da Sede da 7a. Divisão de Viação, criada em 1935, localizada na época no bairro de Vaz Lobo o cortesia da Sra. Norma Z. Pereira.

 

 ZONAS ELEITORAIS NO BAIRRO DE IRAJÁ

Na Região Administrativa de Irajá também funciona Zonas Eleitorais. A princípio era tão somente a 22º Zona eleitoral. Com o crescente números de eleitores, hoje são quatro as Zonais Eleitorais à saber: 22a. - 176a. - 177a. - 190a. Zona Eleitoral.

 

DEPOIMENTO CRÔNICA

ASSIS MEMÓRIA

[Rio Ilustrado – 1937] 

    Assis Memória, no seu depoimento - crônica sobre o bairro de Irajá, publicado no Rio Ilustrado - 1937, defendeu, cercado de esperanças, a certeza do processo evolutivo do bairro, enfatizando com momentos de elevado espírito poético e literário.

Escreveu o autor: "IRAJÁ, O DECANO DOS SUBÚRBIOS. O Méier é a capital dos nossos subúrbios, a metrópole do nosso sertão carioca. Jacarepaguá é a Petrópolis da cidade maravilhosa. Ninguém, entretanto, nega a Irajá o direito, adquirido por justiça de patriarca dos nossos arredores. É incontestavelmente, o decano venerado dos nossos bairros mais afastados. Chegando-se aquela remota localidade carioca, após uma caminhada tão longa quanto agreste, têm-se para logo a impressão de uma terra localizada, não no elegante perímetro de uma cidade com o privilégio raro de maravilhosa, mas em prolongamento do nordeste, ou em um rincão afastado da rebarbativa região setentrional do Brasil. Castro Menezes, o saudoso Castrucio, o talento célebre pelo prestígio das sínteses lapidares, das definições ajustadas - costumava dizer, por entre o fumo, em espirar, de uma, "cigarrete" elegante, que a civilização destes Brasis famosos era toda de fachada. Puro progresso de frontispício! E ajuntava sarcástica: "Entre o "Ponto Chic" e a rua do Ouvidor, está a nossa civilização. Daí por diante, meninos, começa o Estado de Mato Grosso". Há, no asserto, eu reconheço, muito de "blague". Dessa proverbial e esfuziante "blague", em que era mestre jubilado o criador célebre de "Quadros de Guerra". Mas, confessamos, sinceros, aquela tirada humorística do Castrucio, não estava muito longe da verdade. Vejamos, por exemplo, Irajá, a antiga. Não digo decrépita, porque ali está se processando, agora, um surto promissor de progresso e de vida. Sente-se, porém, que foi longa a estagnação em que se imobilizou bairro tão aprazível, recanto tão interessante. Decididamente, num largo espaço de tempo, os poderes públicos deixaram ao abandono a velha localidade, sem o menor respeito as suas cãs, sem a mais insignificante consideração as suas crônicas memoráveis. Sim, porque, além dos seus três séculos e pico, de existência, Irajá possui também a sua história; conta, também, a sua legenda suave. E é pena que a estreiteza de uma crônica deste gênero não possa reconstituir, aqui, essa história e reviver essa legenda. O objetivo do cronista, nesse momento, é, apenas, revelar ao carioca "smart" do "Ouvidor" e da "Avenida" esta nova algo sensacional: Irajá existe e, o que é mais espantoso ainda, Irajá prospera. Aquela Matriz de trezentos e tantos anos, respirando, em suas naves silenciosas, o aroma dos séculos, o perfume raro da antigüidade, vai revestir-se de "toalete" nova. Aqueles famosos e pachorrentos bondes, de burrinhos cansados, de pilecas, de garupas fumegantes, passaram para o museu de velharias. Agora, os "elétricos" e os "ônibus" rápidos vieram matar os pré-históricos veículos. Aquelas casinhas de sapê, morros acima, os vales abaixo, deram lugar a lindas vivendas modernas e confortáveis. Enfim, com licença do chavão bolorento, Irajá civiliza-se. Ainda há pouco, celebrando uma efeméride religiosa, mui grata aquela terra, encontrava-se ali, precisamente na residência do pároco - o culto e sino artística, que é o Padre Freitas - um grupo seleto de músicos notáveis, de políticos influentes e de altos expoentes do nosso escol social. O único anônimo era eu. Uma festa de Religião e uma festa de Arte é o que aquilo foi. E a impressão dominante naquele elevado, foi esta Irajá, a antiga, retomará o seu posto de esplendor, que o passado lhe conferiu. E será, não só o decano dos nossos subúrbios mas a pérola do alto e lindo sertão carioca".

Vocabulário

1. Decano: o membro mais antigo de uma classe ou corporação.

2. Patriarca: chefe de família entre os povos mais antigo.

3. Agreste: relativo ao campo[agro], silvestre, rústico, áspero,, indelicado.

4. Cãs: cabelos brancos

5. Smart: palavra inglesa que significa esperto, ladino, sabido, vivo, ativo, hábil, engenhoso, entre outros

6. Blague: brincadeira irônica, troça.

7. Decrépita: velha caduca, gasta, fraca, arruinada.

8. Pachorrento: vagaroso, lento.

9. Pilecas - cavalgaduras ordinárias e escanzeladas [magras, delibitadas, fracas, doentes].

10. Chavão: molde, forma, modelo, lugar - comum.

11. Bolorento: velho decadente, mofo. 

 

PARTICULARIDADE:

" O decano dos Subúrbios"- Assis Memória."

[Modesto de Abreu] 

    O ilustre Mestre assim definiu: PONTO CHIC era um bar tradicional da época e que ficava na rua Bittencourt Silva [Centro]. Quanto ao autor da crônica, Assis Memória, ele foi padre, jornalista e escritor. Cearense, exerceu o sacerdócio no Maranhão e no Rio de Janeiro. Ingressou na Academia Carioca de Letras, recepcionado por mim, por volta de 1930. Foi colaborador assíduo do Jornal do Brasil e autor do livro "Memória de uma cura". Faleceu por volta da década de 50. Quanto a Castro Menezes, [Álvaro de Sá de Castro Menezes], ele foi escritor, simbolista, jornalista e magistrado. Exerceu as funções de secretário do Jornal do Comércio e de editor da Revista Rosa Cruz. Publicou em jornal o meu primeiro soneto intitulado "A caveira. Nasceu em 1883 [Estado do Rio] e faleceu em 1920.

Apesar de cego, das duas vistas, o professor e jornalista Modesto Dias de Abreu e Silva, prestou em julho de 1993, as informações supra, dentro de um espírito de memória formidável e lucidez plena.

Modesto de Abreu, além de jornalista e professor, foi o fundador da Academia de Letras do Estado do Rio de Janeiro [ACLERJ], e da Academia Brasileira de Jornalismo [ABJ], do qual foi Presidente até o seu falecimento. Foi também Presidente de Honra, hoje, "In memoriam", da Academia Irajaense de Letras e Artes [AILA]. Modesto de Abreu, nasceu em 15 de junho de 1901 e faleceu em 02 de julho de 1996, aos 95 anos de idade.

 

DADOS EVOLUTIVOS 

    As construções das estradas de Quitungo, hoje, denominada Padre Rose e Monsenhor Félix, hoje, avenida, que tiveram as suas obras iniciadas em 1897, foram fatores representativos e decisivos para o início do progresso do bairro de Irajá. Na década de 10, a região começou a respirar a contínua transformação de forma mais concreta com a presença de pequenos núcleos populacionais que se formaram em torno da atual avenida Monsenhor Félix; da atual avenida Automóvel Clube e da vigente estrada do Barro Vermelho, que ligava a antiga estação do Sapê, hoje, Rocha Miranda.

Na década de 20, cresceu mais ainda com o início dos loteamentos e vendas de terrenos [1924/1928].

Na década de 30, manteve estável com preocupação maior voltada para a periferia da avenida Monsenhor Félix até o Largo da Freguesia de Irajá.

Na década de 40, permaneceu dentro do mesmo programa com poucas transformações.

Na década de 50, houve acentuada melhora, principalmente para as principais vias de acesso ao bairro.

Na década de 60, foi um ano de expansão, com destaque para a área industrial.

Na década de 70, contínuo desenvolvimento a longo e médio prazo.

Finalmente, da década de 80 a 90, apresentou um crescimento vertiginoso, tanto no aspecto social, comercial, industrial, cultural e urbanístico.

Irajá, atualmente, é um dos bairros do município que possui maior número de conjuntos habitacionais, entre os quais, Conde de Irajá - inaugurado em 1968[ também nome de uma rua na Cidade Paulista Farinha/Pe. – Bairro A. Lundgren, Anibal Porto, Amâncio Bezerra, Cruzeiro do Sul, Novo Irajá I – localizado na Av. Brasil, Solar – construído em 1983.

Desde sua formação, Irajá sempre teve representantes na Casa Legislativa, Estadual e Municipal.

Hoje, estima-se uma população de 53.360 [feminino] e 45.772 [masculino], numa área de 7,46 km2. 

FONTES CONSULTADAS

* Seção de Coleta, Dados e Informações da XIVa. Região Administrativa de Irajá – 1992

* Biblioteca Popular de Irajá, João do Rio.

* Rio Illustrado – 1937 – cortesia da Sra. Norma Zangrando Pereira.

* Livro "Freguesias do Rio Antigo"-1965 – autor Noronha Santos.

* Dicionário Prático Ilustrado de Jayme de Séguier [3a. edição revisada – Porto – 1931], Livraria Chardron Lello Limitada.

* Enciclopédia e Dicionário Internacional – Volume XVIII – W.M. Jackson, INC Editores.

* Enciclopédia Brasileira Mérito – Volume 11 - 1967

* Enciclopédia Delta Universal, Volume 13, Editora Delta S?A – RJ – 1991.

* Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo – Pe. Fernando Bastos de Ávila, S.J. – 2a.edição – FENAME – 1972.

* Dicionário Escolar da Língua Portuguesa – 11a. edição – MEC.

* Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa – Caldas Aulete – Editora Delta – 5a. edição – 1964.

* Páginas Amarelas [1988/89 e 1989/90].

* Memórias do professor e jornalista Modesto de Abreu – 1993.

* Folder IRAJÁ – Departamento Geral do Patrimônio Cultural – Secretaria Municipal de Cultura – 20

   

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